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Porque as mulheres estão em minoria no ciclismo?

Atualizado: Mar 21



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A bicicleta esteve presente em vários momentos nas lutas históricas pelos direitos das mulheres, como por exemplo, no movimento das sufragistas americanas. Uma delas, Susan B. Anthony, em uma entrevista em fevereiro de 1896 disse: “Andar de bicicleta fez mais pela emancipação da mulher do que qualquer outra coisa no mundo”, lembrando do poder emancipatório proporcionado pela bicicleta. Infelizmente, mais de um século depois, continuamos a presenciar uma baixa representatividade das mulheres no esporte. A que isso se deve?


Aqui irei ressaltar apenas dois pontos: a socialização feminina e o medo. Através da socialização, seja por observação ou experimento, nós aprendemos as regras sociais que são esperadas que tenhamos ou não. Portanto, parte dos nossos interesses são estimulados por fatores externos. Um exemplo simples para entendermos essa lógica é observando os brinquedos das crianças. Os meninos aprendem que brinquedos para eles são aqueles que estimulam a competição, como jogos em geral e esportes, já as meninas aprendem que brinquedos para elas são os que estimulam a vida doméstica, como casinhas e panelinhas, a maternidade com as bonecas e a preocupação com a aparência com maquiagens e lacinhos na cabeça.


Não quero adentrar no mérito se essa lógica está certa ou errada, mas afirmar que todos esses interesses não nascem com a criança, partem de estímulos ou desestímulos, repressões ou encorajamentos. Para as meninas, essa lógica interfere no recebimento de uma educação criativa e autônoma, dois valores importantíssimos para qualquer criança, mas que são, geralmente, desestimulados para elas. Infelizmente, o que acaba desestimulando também que elas venham a se interessar pelo esporte, onde está inserida a bicicleta.


O medo é outro fator que acarreta o número baixo de mulheres no ciclismo. Ele se deve a fatores externos como a violência no trânsito, mas também a outros mais subjetivos como o desconhecimento do equipamento que se utiliza. Quem aí já desistiu de sair para pedalar sozinha receosa de que um furo no pneu pudesse te deixar longe de casa?


Para o medo existem pequenas estratégias que podem nos ajudar a vencê-lo. O primeiro passo é: conhecer o que nos dá medo. Por exemplo: “Eu tenho medo de ficar parada no meio da trilha porque não sei trocar um pneu”. Qual o primeiro passo que você pode fazer: buscar formas de aprender a trocar esse pneu, mulher!


Portanto, vale buscar soluções práticas que nos forneçam recursos para lidar com o medo quando ele aparecer, como por exemplo, começando a aprender a trocar a câmara de ar do pneu. Esse pode ser o primeiro passo para que nos sintamos mais confortáveis em pegar nossa bicicleta e romper com predefinições sobre quem somos que já não nos cabem mais.



Fontes:


THE WORLD, New York, February 2, 1896. Interview with Susan B. Anthony. Disponível em: https://www.rarenewspapers.com/view/621269?acl=851761768&imagelist=1


BEAUVOIR, Simone. Segundo Sexo. https://www.amazon.com.br/Segundo-Sexo-Simone-Beauvoir/dp/852092283X


BASSOLI, Melina. O que é socialização? Cf. em https://qgfeminista.org/o-que-e-socializacao/


Fontes de inspiração:


https://ildapereira.com/category/ilda-pereira/a-mulher/


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