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SITUAÇÕES QUE OS HOMENS FAZEM E NOS DEIXAM MUITO DESCONFORTÁVEIS NA TRILHA





1- COMPETIR COM MULHERES APENAS PARA INFLAR O EGO.


Evitar competições quando a mulher não está afim. Muitos homens ainda não despertaram a ideia de que nós mulheres não somos inferiores a eles e se sentem incomodados quando uma mulher leva um ritmo forte no pedal e não conseguem nos acompanhar. Hoje sabemos que os atletas de elite homens batem recordes melhores que os das mulheres (que ainda assim depende de “n” variáveis), mas no ciclismo amador não existe essa regra.

No ciclismo amador há muitas mulheres pedalando melhor que os homens, o que demonstra que gênero não é parâmetro para força, mas questão de treino. Ainda persiste um estereótipo construído socialmente de que “pedalar igual homem” seria sinônimo de “pedalar bem” ou “pedalar forte”. Isso deriva daquela mesma expressão “agir como homem” ou “agir com virillidade”, que leva muitos homens à frustração e depressão, devido à falta de permissão interna para expressar seus próprios sentimentos que essa crença acarreta.

Por fim, ainda existe muito para aprendermos a respeito de nossa socialização baseada no gênero binário, ou seja, homens e mulheres. Já transformamos esse conceito e sabemos que os gêneros são múltiplos e performativos. O que cada vez mais irá nos fazer compreender mais sobre nossas diferenças e abrir nossos corações para um maior entendimento de quem somos.


2- DAR COMO CERTO DE QUE NÓS MULHERES NÃO SABEMOS NADA SOBRE MECÂNICA.

Nós mulheres somos vistas como frágeis na sociedade e é comum que em momentos que qualquer ser humano pode passar pela vida, como o furo de um pneu ou um furo de um pneu de carro, os homens já dão como certo de que estamos em dificuldades e precisamos de sermos ajudadas. Só que isso não é verdade, muitos homens também não sabem trocar pneu, mas muitas vezes nem oferecem ajuda a eles porque acham que por participarem desse gênero é obrigação deles saberem fazer essas coisas. Essas são situações que podem ser negligenciadas por qualquer ser humano. Por isso, percebam que não é só porque somos mulheres que não sabemos trocar. Com isso em mente, convém sempre perguntar se a pessoa quer ajuda antes de se intrometer e começar a fazer o serviço, por maior boa vontade que essa atitude possa ter. Nem todas nós precisamos ou queremos ajuda. Gentileza é importante em qualquer lugar, mas a intromissão não. Portanto, lembrem-se sempre de perguntar se querem e se a mulher já estiver ali fazendo o reparo nem pensem em colocar a mão. E convém lembrar também que que muitas de nós gostamos de usar as unhas grandes e pagamos muitas vezes caro para fazer as unhas, então vamos ter o maior cuidado possível com elas e se tivermos que trocar um pneu é bem provável que tenhamos que gastar um pouco mais de tempo para trocar o pneu mesmo, mas isso não quer dizer que seja errado ou inferior, é apenas nosso jeito de ser. Respeitem as nossas diferenças que só assim poderemos amar a nós mesmos.



3- UMA MULHER FICA PARA TRÁS NA TRILHA E JÁ A CONVIDAM PARA DESISTIR DO PEDAL.


Se uma mulher está ficando mais atrás do grupo na trilha, pode ser que ela esteja apenas querendo um momento mais sozinha e em silêncio. Pode ser que ela não esteja querendo conversar, então respeitem. Não vá até lá ficar perguntando um monte de vezes se ela está bem ou não e falando para todo mundo do grupo sem nem saber o histórico da pessoa que “ela não vai dar conta”.


Se um homem aproveita dessa situação para ficar importunando mesmo percebendo que a mulher não está afim de conversar, já está na hora de ligarmos os nossos alarmes internos, pode ser que esse cara já esteja passando dos limites e é hora de cortarmos o cara. Convém o bom senso do grupo em ajudar também.


4- SUPOR SEM FUNDAMENTOS QUE SUA PARCEIRA DE PEDAL ESTEJA “AFIM DE VOCÊ”.


Agora na pandemia, aumentou muito o número de mulheres pedalando ( o que é muitoooo legal), então é comum encontrarmos pessoas que não sabem lidar bem com a bike na trilha e podermos incentivar uns aos outros é sempre muito bem-vindo. Sabemos que na sociedade machista e patriarcal que vivemos somos desencoraja desde crianças de sair na rua e andarmos sozinhas. Nos fazem acreditar que o perigo está nas ruas, mesmo as estatísticas mostrando que os maiores abusos e violências contra as crianças acontecem dentro da própria casa e por pessoas conhecidas.

Na rua, as agressões começam com olhares que não são bem-vindos, assobios, palavras de baixo calão e daí por diante, o que vai nos afastando dos espaços públicos.

Na bike, por vários motivos aqui no Brasil, não é recomendado pedalarmos sozinhas ou sozinhos, seja pelo receio de assaltos ou pelo alto índice de violência no trânsito que nos faz pensar duas vezes antes de sairmos de casa. Portanto, além desses receios cotidianos, para nós mulheres há uma carga extra de situações fazendo com que pedalarmos sozinha seja algo muito desafiador.

Desse modo, muitas mulheres preferem pedalar com grupos e como a bike ainda é um universo predominantemente masculino, é comum você estar em grupo com a maioria sendo homens.

Infelizmente, devido a isso não é difícil você ficar sabendo de casos de assédio. Com a pandemia, muitas mulheres novas começando a pedalar pode levar com que esses casos venham a aumentar. É comum os homens te convidarem para pedalar junto com eles e ficarem assustados depois quando você dá um fora neles. Querido, quando você achou que pedalar com você tinha um significado a mais? Por favor, tenham muita atenção quando estiverem interessados por parceir@s na trilha para não serem desrespeitosos. Tenham muita certeza e várias evidências concretas de que a outra pessoa demonstra um interesse recíproco. Não confiem nas suas lentes de mundo para darem como certo os interesses da outra pessoa. Somos seres únicos e cada um tem sua forma única de se expressar. Fiquem atentos.



Se você foi vítima de um caso de assédio ou qualquer outro tipo de violência não deixe de buscar ajuda. Para se informarem melhor sobre quaisquer dúvidas vocês sempre tem à disposição a Central de Atendimento à Mulher, através do número 180. O Ligue 180 presta serviços de escuta e acolhida qualificada às mulheres em situação de violência, encaminhando e registrando denúncias contra a mulher aos órgãos competentes.




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